"Não atire uma pedra no mar enquanto ele estiver calmo."
Para Pensar
3/17/2006
1/26/2006
Uma História- Filosofia Indiana
Tanto os deuses como os demônios ouviram falar dessa verdade e pensaram consigo mesmos:
- Vamos procurar esse eu e percebê-lo de forma que possamos obter todos os mundos e tudo o que desejamos.
- Ouvimos dizer- replicaram- que aquele que percebe o Eu obtém todos os mundos e tudo o que deseja. Moramos aqui porque queremos aprender a respeito desse Eu.
Prajapati disse então:
Aquele que é visto dentro do olho, aquele é o Eu. Ele é imortal, sem medo, e ele é Brahman.
- Senhor - perguntaram os discípulos-, o Eu é que é visto refletido na água ou num espelho?
- Olhai para vós mesmos refletidos na água e, seja o que for que não compreendais, vinde e contai-me a respeito.
Indra e Virochana olharam para seus reflexos na água e, voltando ao sábio, disseram:
- Senhor, vimos o Eu, vimos o cabelo e as unhas.
Prajapati pediu-lhes então que vestissem as suas melhores roupas e olhassem mais uma vez dentro da água. Eles assim fizeram e, voltando ao sábio, disseram:
- Vimos o Eu, exatamente como nós, bem adornados e nas nossas melhores roupas.
Prajapati assim replicou:
- O Eu é de fato assim. O Eu é imortal e sem medo, e é Brahman.
E os discípulos se afastaram bastante satisfeitos.
Porém Prajapati, acompanhou-os com o olhar, lamentou-se assim:
- Ambos partiram sem analisar ou exercer o discernimento, e sem verdadeiramente compreender o Eu. Quem quer que siga uma doutrina falsa do Eu perecerá.
Então, Virochana, de sua parte persuadido de que havia encontrado o Eu, voltou aos demônios e começou a ensinar-lhes que somente o corpo deve ser servido, e que aquele que adora o corpo e serve ao corpo obtém ambos os mundos, este e o próximo. Tal doutrina é, realmente, a doutrina dos demônios!
Porém Indra, no seu caminho de volta para junto dos deuses, percebeu a inutilidade desse conhecimento.
- Assim como esse Eu – raciocinou ele-, parece estar bem adornado quando o corpo está adornado, bem vestido quando o corpo está bem vestido, ele estará então cego quando o corpo estiver cego, aleijado quando o corpo estiver aleijado, deformado quando o corpo estiver deformado. Quando o corpo morrer, esse Eu também morrerá! Não consigo ver qualquer bem nesse conhecimento.
Dessa forma, voltou a Prajapati e pediu-lhe mais instruções. Prajapati solicitou-lhe que morasse com ele por outros trinta e dois anos, depois dos quais lhe ensinou isto:
- Aquele que se move nos sonhos, gozando delícias sensuais e vestido com glória, esse é o Eu. Ele é imortal, sem medo, e ele é Brahman.
Satisfeito com o que havia ouvido, Indra partiu mais um vez. Porém, antes de alcançar os outros deuses, percebeu também a inutilidade desse conhecimento.
- É verdade – disse ele para si mesmo- que esse Eu não fica cego quando o corpo fica cego, nem aleijado quando o corpo está aleijado ou ferido. Porém, mesmo nos sonhos ele é consciente de muitos sofrimentos. Assim, também nessa doutrina não posso ver nenhum bem.
Desse modo, voltou a Prajapati para mais instruções. Prajapati ordenou-lhe então que ficasse com ele por outros trinta e dois anos e, após esse tempo, ensinou-lhe, dizendo:
- Quando um homem está profundamente adormecido, livre de sonhos, e num perfeito descanso – isso é o Eu. O Eu é imortal e sem medo, e ele é Brahman.
Indra foi-se embora. Porém, antes de chegar em casa, percebeu a inutilidade até desse ensinamento.
- Na realidade – pensou ele – uma pessoa não se conhece como isso ou aquilo enquanto está dormindo. A pessoa não está consciente, de fato, de qualquer existência. O estado de alguém em sono profundo é próximo do aniquilamento. Não posso ver tampouco bem nesse conhecimento.
Assim, uma vez mais, Indra voltou a Prajapati, que o fez ficar com ele por cinco anos e, após esse tempo, tornou conhecida dele a mais elevada verdade do Eu, dizendo:
Este corpo é mortal, sempre agarrado pela morte, porém dentro dele reside o Eu imortal. Esse Eu, quando associado, na nossa consciência, com o corpo, está sujeito ao prazer e à dor; e, enquanto essa associação perdura, a liberdade com relação ao prazer e à dor não pode ser encontrada por homem algum. Porém, quando essa associação cessa, também cessam o prazer e a dor.
- Erguendo-se acima da consciência física, sabendo que o Eu é distinto dos sentidos e da mente – conhecendo-o na sua verdadeira luz – a pessoa se rejubila e é livre.
Os deuses, os seres luminosos, meditam a respeito do Eu e, ao fazê-lo, obtêm todos os mundos e tudo o que desejam. Do mesmo modo, qualquer um entre os mortais que conheça o Eu, medite sobre ele, e o perceba – ele também obterá os mundos e tudo o que deseja.
Citado por Celso Loureiro em “Meditação: o caminho da paz”
Editora Record
O que permite a constância e a duração do céu e da terra
É o não criar para si
Por isso são constantes e duradouros
Assim
O Homem Sagrado deixa seu corpo para trás e o Corpo avança
Além do corpo, o Corpo permanece
Através do não-corpo, conclui o Corpo
1/11/2006
12/19/2005
Uma Parábola
Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, com o tigre em seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo. O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha.
Mas ao olhar para a planta, viu dois ratos, um negro e outro branco, roendo aos poucos sua raiz. Neste momento seus olhos perceberam um belo morango vicejando perto. Segurando a vinha com uma mão, ele pegou o morango com a outra e o comeu.
"Que delícia!", ele disse.
10/09/2005
CHI KUNG
O Chi Kung: (Qi Gong) é uma técnica milenar Chinesa de treinamento interior que objetiva o equilíbrio do indivíduo como um todo nos aspectos: físico, mental e espiritual. "Chi" significa energia em todas as manifestações e "Kung" significa treino ou capacidade adquirida com o treino. No entanto, para se obter os benefícios na integra são necessários treinos regulares, disciplina e aplicação prática da filosofia no dia a dia. A maioria dos praticantes de Chi Kung passa a sentir seus efeitos em pouco tempo: maior capacidade de concentração, memória, autocontrole, sabedoria, saúde. etc. A técnica é destinada a todos que procuram a saúde e o equilíbrio segundo o Tao e pode ser praticada por pessoas de qualquer faixa etária. O Chi Kung beneficia o metabolismo e previne a maioria das chamadas doenças da meia idade, tais como o endurecimento das artérias e juntas. O movimento constante e fluíido estimula todo o sistema circulatório, o metabolismo e o sistema nervoso, pois o relaxamento na movimentação, a meditação e concentração nos movimentos desviam o corpo e a mente dos pensamentos e preocupações que normalmente nos acompanham na vida diária. O corpo humano é como a água: se não corre e flui se torna estagnada e vira uma poça suja propricia para a reprodução de insetos. O Chi Kung, se praticado por um tempo regular, beneficia especialmente o sistema nervoso central, pois na sua prática se aprende a controlar sua mente expulsando os pensamentos negativos e projetando imagens positivas (concentração e contemplação) que trarão paz e tranqüilidade a todo o ser, revigorando e estimulando o cérebro e desenvolvendo a capacidade de concentração. O praticante de Chi Kung aprende a absorver a energia da natureza de forma consciente e a direcionar o fluxo energético obtido através das posturas, exercícios de respiração específicos, movimentos e meditação. Essa antiga ramificação da medicina tradicional chinesa, o Chi Kung, foi introduzida na arte do Kung Fu durante a dinastia Jin por um famoso físico e filosofo Taoísta chamado Ge Hong. Seu treinamento consiste basicamente em exercícios respiratórios específicos que visam a localizar a energia interior nos meridianos ou Chi Lo. Após equilibrado esse plano, através do Nei Kung (emissão de energia), dirigimos a mesma a pontos correspondentes a um "mau fluxo do Chi" para equilibrá-lo. O Chi Kung vem sendo desenvolvido desde os tempos mais remotos na época do surgimento das artes marciais, dentro de vários estilos de Kung Fu. Tem como origem provável o método dos Cinco Animais, uma série de exercícios criados com fins terapêuticos por Hua To, um grande médico chinês. Durante a dinastia Han (206 antes de Cristo), Hua To baseou e modelou o seu sistema de fisioterapia em movimentos observados nos animais, tais como o Urso, o Veado, o Macaco, o Tigre e a Cegonha. esse sistema foi adotado pelos taoístas e médicos em toda a China, e trasnmitido de geração em geração. Para o Chi Kung são importantes três pontos principais: técnica respiratórias, posturas corporais e movimentos associados á disciplina mental. http://www.portaldekungfu.com |
9/09/2005
Culinária
Yakisoba
Ingredientes:
1 peito de frango
1 cenoura
1 talo de salsão
1/2 pimentão verde
1/2 pimentão vermelho
1 cebola média
60 g de ervilha torta
60 g de champignons
4 folhas de acelga
6 colheres de sopa de óleo de soja
3 colheres de sopa de shoyu
1 e 1/2 xícara de caldo de frango
1 colher de sopa de amido de milho
1 colher de chá de óleo de gergelim
500 g de macarrão oriental
Modo de Preparo:
Bata levemente o peito de frango e corte em cubos de 2 x 2 cm. Corte também em cubos do mesmo tamanho os pimentões, a cebola e o salsão. Corte a cenoura em fatias finas e diagonais, corte tambem os champignons em lâminas e a ervilha em pedaços de 3 cm. Pique grosseiramente as folhas de acelga e reserve tudo. Coloque abundante água para ferver e ferva a massa até estar no ponto, escorra e passe em água fria. Reserve. Dissolva o amido de milho no caldo frio e reserve. Aqueça 3 colheres do óleo em um wok ou frigideira grande em fogo alto, quando estiver bem quente coloque o macarrão pré cozido e refogue rápidamente. Coloque a massa em uma travessa e mantenha aquecido. Na mesma panela, coloque o óleo restante e deixe aquecer novamente. Acrescente os cubos de frango e refogue por 2 minutos. Acrescente a cenoura e refogue. Coloque o salsão, pimentão e cebola, refogue 2 minutos e acrescente as ervilhas e os champignons, refogue mais 2 minutos e acrescente o shoyu. Coloque o caldo de frango com o amido e acrescente as folhas de acelga. Dê ponto no molho e coloque o óleo de gergelim torrado. Sirva o molho sobre o macarrão.
8/21/2005
Isso se chama Orifício Misterioso
A porta do Orifício Misterioso é a raiz do céu e da terra
Seja suave e constante
Usufruindo sem se apressar
O Livro do Caminho e da Virtude
Lao Tse
7/11/2005
Kuan Yin – A Deusa da Misericórdia
Debruçando-nos sobre a história do budismo, percebemos a existência de inúmeros Budas Avalokistevara que, segundo a tradição, dedicam-se até hoje a amparar seus irmãos que ainda sofrem sob a Lei do Karma. Como não poderia deixar de ser, as representações desses Bodisattvas varia conforme a região e a linha do budismo. Ao que parece, um Avalokistesvara é genericamente representado como um Buda clássico (um homem sentado com as pernas cruzadas e de olhar amável) que passaria desapercebido não fossem os dois objetos distintos que apresenta em suas mãos, excluindo-se algumas variações, um rosário e um vaso delicado.
Porém, como para a maioria dos povos o sentimento de misericórdia e de compaixão geralmente está associado a atributos femininos, na China, quando se fala em Buda da Compaixão, a primeira imagem que surge é a de Kuan Shih Yin, literalmente aquela que considera, vigia e ouve as lamentações do mundo.[2] A iconografia de Kuan Yin (Quan Inn ou Guan Yin) parece ter surgido na China por volta do século III, com a introdução do budismo indiano nesse país, mas é impossível deixar de admitir que a lenda pode ser tão antiga quanto a própria história do povo. O autor Claudiney Prieto compara Kuan Yin à Grande Deusa[3], a porção feminina de Deus, que nos primórdios da humanidade povoou o céu e fertilizou a terra de nossos ancestrais.
Kuan Yin está expressa na literatura popular chinesa em poemas e hinos de louvor, assim como em cultos elaborados e orações. Seus seguidores devotos freqüentam templos locais e fazem peregrinações a templos maiores em datas festivas. Os três festivais anuais realizados em sua honra acontecem no dia 19 do segundo, do sexto e do nono mês do calendário lunar chinês (vê-se novamente a relação com a Grande Mãe, a antiga deusa da humanidade, sempre associada à lua). Segundo John Blofeld, hoje Kuan Yin é reverenciada na China, em Taiwan, no Japão, na Coréia e na Índia (aqui associada à Deusa Tara). De acordo com o país, seu nome pode variar ligeiramente, como por exemplo: Kannon, Kwannon, Kwan Se Um, Kuan Te Am Bosa, Quan’Am e Kanin.Há inúmeras controvérsias a respeito da origem devocional da deusa. Acredita-se que o monge budista Kumarajiva foi o primeiro a se referir à forma feminina de Kuan Yin em sua tradução chinesa do belo Sutra do Lótus[4], em 406 a.C. No entanto, Kuan Yin só começou a ser retratada como mulher a partir do século X, provavelmente uma tendência crescente depois da introdução do Budismo Tântrico na China do século oitavo.
Uma das lendas mais belas fala de uma princesa chinesa chamada Miao Shan que, diferente de suas duas irmãs, passava seu tempo meditando e se debruçando sobre os ensinamentos de Buda. Seu pai, o rei Miao Chung, ansiava por casar suas filhas com homens dignos, na esperança de perpetuar seu reino, porém Miao Shan se recusava a contrair matrimônio, pois sua única ambição consistia em se aprofundar nos ensinamentos budistas e ser um veículo para a cura da humanidade. Enfurecido, seu pai a enviou para um monastério imaginando que a frágil moça não agüentaria uma vida de devoção. No entanto, vendo que apenas alimentava ainda mais o desejo da filha, o rei a chamou de volta e ameaçou executá-la. Como a princesa não abria mão de sua decisão, o rei acabou por estrangulá-la. Segundo a lenda, nesse exato momento a Deusa da Terra surgiu na forma de um tigre e levou o corpo da jovem para o submundo. Chegando lá, Miao Shan começou a rezar por todos os que sofriam naquele lugar e através de suas orações transformou o submundo num paraíso de alegria. Após esse episódio a princesa voltou à vida, porém nunca pensou em se vingar da hostilidade do pai. Pelo contrário, perdoou-o e mais tarde o curou de uma enfermidade. Através de seus atos Miao Shan transformou-se em Kuan Yin, a Salvadora Compassiva, e atingiu a iluminação. Todavia, ainda preocupada com os lamentos do mundo, abdicou de sua entrada no Nirvana, jurando que só o faria no dia em que toda a humanidade se encontrasse a salvo.
A iconografia de Kuan Yin a descreve de muitas formas. Na teologia budista, ela é às vezes representada como a comandante do Barco da Salvação, guiando e protegendo as almas em sua travessia ao paraíso. Freqüentemente é representada como uma mulher esbelta vestindo um etéreo manto branco. Muitas vezes carrega um lótus branco, um rosário ou um vaso delicado, simbolizando respectivamente a pureza, a devoção e a água primordial da cura e da vida eterna. Também é retratada cruzando os mares sobre um dragão ou uma flor de lótus.
No Brasil, os devotos da Deusa da Misericórdia podem prestar-lhe tributos no Templo Quan Inn do Brasil, em Palheiros - São Paulo. Os budistas acreditam que o simples pronunciar de seu nome ou do mantra[5] dedicado a ela faz com que Kuan Yin esteja presente. Ela é a mãe amorosa que a todos atende e alenta e é a responsável por encaminhar aos céus os pedidos daqueles que sofrem sobre a terra.
________________________
[1] Avalokitesvara ou o Senhor que olha para baixo. O atual Dalai Lama do Tibet é considerado uma reencarnação do Avalokitesvara que decidiu voltar ao mundo para auxiliar diretamente a humanidade em seu caminho rumo à iluminação. BOWKER, John. Para entender as religiões. São Paulo: Ática, 1997.
[2] BLOFELD, John. A deusa da compaixão e do amor: o culto místico de Kwan Yin. São Paulo, Ibrasa.
[3] PRIETO, Claudiney. Todas as deusas do mundo. São Paulo: Gaia, 2002.
[4] Para acessar uma parte do Sutra do Lótus traduzido para o português visite o site: http://www.vertex.com.br/vertex.com.br_non_ssl/users/san/lotus/
6/07/2005
CHINA
A descoberta desse metal teve conseqüências importantíssimas. Formou-se uma vasta civilização caracterizada pela divisão da sociedade entre os nobres, habitantes das cidades-palácios, e os camponeses. A nobreza reconhecia a autoridade de um soberano, embora o poder deste, na prática, se limitasse ao campo religioso. Assim surgiu a primeira dinastia conhecida, denominada Shang (séculos XVIII-XII a.C.), da qual se tem notícia pelas inscrições encontradas em Anyang. Essa dinastia, enfraquecida pela pressão dos povos vizinhos, foi substituída entre os séculos XII e III a.C. pela dinastia Chou, que transferiu a capital para Luoyang, na região de Honan. Desde o século VIII a.C., a vasta civilização chinesa já ocupava o curso médio do rio Amarelo. Esse amplo território era de dificílimo controle. A unidade cultural do início viu-se ameaçada pelas tendências desagregadoras dos principados periféricos e pela pressão dos povos bárbaros vizinhos, sobretudo os do norte, os mongóis, pois os do sul foram vencidos e assimilados. Graças à descoberta do ferro foi possível conter as hordas que ameaçavam as fronteiras.
As guerras desse período vieram acompanhadas de grande florescimento cultural. Foi nessa época que surgiram as duas principais correntes filosóficas da China: o confucionismo, que ressaltava os princípios morais, e o taoísmo, criado por Lao-tzu ou Lao-tsé, que defendia uma vida em harmonia com a natureza. Outra escola importante foi a de Mengzi ou Mengtse, que destacava a importância da educação como meio para aperfeiçoar a natureza humana. Os últimos reis Chou viveram retirados em Luoyang. Entre os anos 230 e 221 a.C., o estado de Ch'in destronou a dinastia Chou e se impôs aos príncipes locais. Embora de curta duração (221-206 a.C.), a dinastia Ch'in foi de vital importância para a China, pois lançou as bases de um império que haveria de se manter durante mais de dois milênios.
O império consistia em um território unificado sob controle religioso e político de um soberano. Mas a dispendiosa política defensiva e centralizadora dos Ch'in (construção da Grande Muralha e estradas) provocou uma sublevação generalizada da qual saiu vencedor o proprietário de terras Liu Pang, que impôs sua autoridade e fundou a dinastia Han (206 a.C.-221 d.C.). A política dessa dinastia se voltou para o fortalecimento do poder real, o que tornava imprescindível enfraquecer os príncipes feudais. O governo central apoiava-se em um funcionalismo fiel; este provinha de um corpo de letrados recrutados mediante concurso. A dinastia Han coincidiu com um período de expansão comercial e agrícola que se manifestou pela rotação de culturas, pela realização de numerosas obras hidráulicas, pela formação de uma classe mercantil e pela substituição da antiga aristocracia por um grupo de proprietários de terras mais dinâmicos. Os Han também adotaram uma política expansionista que resultou na conquista do norte da Coréia, da região de Mu Us e da zona meridional até Canton. No campo ideológico, essa dinastia fez do confucionismo a doutrina oficial do estado; as idéias de Confúcio, ensinadas nas escolas, eram matéria exigida nos concursos ao funcionalismo. No fim do século II da era cristã, as sublevações populares, de inspiração taoísta, e os ataques dos nômades instalados nas fronteiras norte-ocidentais obrigaram o imperador a entregar o poder a militares e proprietários de terras nas regiões vizinhas.
A época compreendida entre os anos 221 e 589 é conhecida como a dos três reinados e das seis dinastias. Nesse período, a China sofreu divisões internas e o ataque de diversos povos nômades (tibetanos, turcos e mongóis). Alguns desses povos estabeleceram-se no vale do Amarelo, o que provocou uma intensa emigração para o curso inferior do Yangzi, onde se produziu uma fecunda fusão cultural. O delta desse rio tornou-se uma próspera região agrícola, baseada nas culturas de arroz e chá. No âmbito religioso, difundiram-se o budismo e o taoísmo. Em 581, Yang Jian, alto funcionário do reino Chou do norte, conseguiu submeter à sua autoridade a região do sul, depois da conquista de Nanjing. Assim, a nova dinastia, denominada Sui, reunificou o país depois de três séculos de fragmentação política, econômica, cultural e lingüística. Durante esse período, construiu-se o grande canal que uniu o Yangzi ao Amarelo. Os reveses nas guerras contra coreanos e turcos precipitaram a queda da dinastia. Li Yuan, comandante dos exércitos do norte, aproveitou o desencadeamento de uma revolta na região oriental para assassinar o imperador e tomar o poder.
A nova dinastia, a T'ang (618-907), continuou a obra reunificadora iniciada pelos Sui. Os T'ang reorganizaram a administração, derrotaram turcos e coreanos e conquistaram o Tibet. Durante essa época, a China conheceu grande desenvolvimento artístico (poesia e pintura) e científico (cartografia e matemática) e entrou em contato com outras civilizações, como a japonesa, a coreana, a indiana e a árabe. O período de florescimento cultural e de expansão territorial da dinastia T'ang terminou com a derrota chinesa frente aos árabes em 751, na fronteira norte-ocidental. A partir desse momento, começou uma fase de decadência e esta resultou em nova fragmentação que sobreveio à queda dos T'ang, em 907. O período das cinco dinastias e dos dez estados, entre 907 e 960, caracterizou-se pelo caos político, embora tenha havido um importante desenvolvimento científico que se plasmou na invenção da imprensa.
A partir de 960, a dinastia Sung reorganizou o país impondo reformas tributárias que aliviaram a situação econômica dos camponeses e favoreceram o comércio. Nessa época houve grande desenvolvimento cultural, com a difusão de textos impressos e a renovação das doutrinas confucionistas. Contudo, a nova dinastia perdeu o controle do nordeste do império. No século XI, a China ficou dividida em duas zonas: a metade meridional, ocupada pelos Sung; e a metade setentrional, em poder do reino mongol de Kitan. No século seguinte, os Juchen estabeleceram o reino Chin na China setentrional, onde se mantiveram até a chegada dos mongóis. Em 1206, Gengis Khan consolidou seu poder sobre as tribos mongóis das estepes do lago Baikal. Cinco anos depois, invadiu a China. Com a derrota definitiva dos Chin em 1234, os mongóis continuaram seu avanço para o sul em 1250. A parte meridional do país, controlada pela dinastia Sung, resistiu com denodo, mas finalmente, em 1279, todo o território chinês ficou sob a autoridade de uma dinastia estrangeira, a dos Yuan.
O neto de Gengis Khan, Kublai-Khan, transferiu a capital para Khanbaliq (a futura Pequim). Durante essa época o comércio foi favorecido pelo controle da zona ocidental, que abriu as rotas para a Ásia central e a Europa. A abertura dessas rotas permitiu a chegada das idéias européias por meio de viajantes como Marco Polo e Giovanni da Montecorvino. Não durou muito o imenso império mongol, assimilado à sociedade e à cultura chinesas. Em meados do século XIV, uma revolta camponesa transformou-se em guerra de libertação contra os mongóis, cujo último imperador foi derrubado em 1368, quando o monge budista Chu Yuanchang (Hongwu) fundou a dinastia Ming. Durante esse período aumentou a atividade marítima. As embarcações chinesas chegavam à Arábia e até mesmo à África oriental. Floresceram as belas-artes (arquitetura, cerâmica) e multiplicaram-se os contatos com o exterior. No fim do século XVI os portugueses instalaram-se em Macau e vieram muitas missões jesuíticas. A partir do fim desse século, os ataques de piratas japoneses geraram grande instabilidade, que foi aproveitada pelos manchus, descendentes dos Juchen da Manchúria, que conquistaram todo o império em 1644.
Até o fim do século XVIII, a China experimentou grande florescimento sob a nova dinastia Ch'ing (manchu). O império logrou sua máxima expansão territorial: pacificou-se o Tibet e os mongóis foram derrotados; o Annam (o futuro Vietnam), Myanmar e o Nepal reconheceram as fronteiras meridionais da China; e Formosa foi conquistada em 1680. A introdução de novas culturas, como a do milho e do tabaco, favoreceu o desenvolvimento agrícola, e o comércio expandiu-se com o estabelecimento de colônias européias (portuguesas, holandesas e britânicas). Além disso, a população cresceu muito: passou de 150 milhões de habitantes em 1600 para 400 milhões no começo do século XIX. Com o fim do século XVIII, porém, a China entrou em um período de crise econômica, política e social. Dessa vez, a ameaça para a dinastia Ch'ing e para a China tradicional viria da Europa, que pretendia aumentar sua penetração comercial nesse país, contra a vontade dos imperadores. A instabilidade política interna, fruto da crise econômica, serviu de brecha aos europeus para forçarem a abertura dos portos chineses ao comércio. Em 1839, os ingleses aproveitaram a destruição de um carregamento de ópio (mercadoria que introduziam na China a partir da Índia) para declarar guerra à dinastia Ch'ing.
A chamada guerra do ópio terminou com a derrota chinesa. Os ingleses forçaram o Tratado de Nanjing (1842), pelo qual os chineses se comprometiam a abrir ao comércio britânico cinco portos, entre os quais os dois mais importantes do país, Xangai e Canton, e além disso cediam o de Hong Kong. Nos anos seguintes, prosseguiu a instabilidade interna. Em meados da década de 1850, sucederam-se os levantes muçulmanos das regiões de Xinjiang e Yunnan; e, em 1853, o movimento Taiping, de cunho religioso e milenarista, conquistou Nanjing e tentou expandir seu poder pelo norte da China. Uma intervenção militar franco-britânica obrigou o governo chinês a fazer novas concessões. Pelo Tratado de Pequim, firmado em 1860, abriram-se 11 outros portos no país e ofereceram-se mais vantagens aos estrangeiros.
DINASTIAS DA CHINA
PERÍODO ARCAICO - antes de 221 a.C.
DINASTIA CHOU - 1112/221 a.C.
UNIFICAÇÃO DE CH'IN E HAN - 221 a.C./221 d.C.
DINASTIA CH'IN - 221/206 a.C.
DINASTIA HAN OCIDENTAL - 206 a.C./25 d.C.
DINASTIA HSIN - REBELDE WANG MANG - 7/24 d.C.
DINASTIA HAN ORIENTAL - 25/221 d.C.
PERÍODO DOS TRÊS REINADOS - 221/265
DINASTIA WEI - 221/265
DINASTIA HAN MENOR- 221/265
DINASTIA WU - 229/265
UNIFICAÇÃO DE CHIN - 265/317
DINASTIA CHIN OCIDENTAL - 265/317
DIVISÃO DO NORTE E DO SUL - 317/589
DINASTIA CHIN ORIENTAL - 317/420
DINASTIA SUNG - 420/479
DINASTIA LIANG - 502/557
DINASTIA CH'EN - 557/589
DINASTIA HUO CHAO - 307/352
DINASTIA WU DO NORTE - 386/550
DINASTIA CH'EN DO NORTE - 550/589
DINASTIA CHOU DO NORTE - 557/581
UNIFICAÇÃO DE SUI E T'ANG - 589/907
DINASTIA SUI - 589/618
DINASTIA T'ANG - 618/907
REBELDES T'ANG - 757/761
AS CINCO DINASTIAS - 907/960
DINASTIA SHU ANTERIOR - 907/960
DINASTIA T'ANG DO SUL - 907/978
DINASTIA HAN DO SUL - 917/942
DINASTIA HAN POSTERIOR - 947/957
DINASTIA CHOU POSTERIOR - 951/960
REBELDES
SUNG - 960/1280
DINASTIA SUNG DO NORTE - 960/1127
DINASTIA SUNG DO SUL - 1127/1280
IDADE MÉDIA - 960/1644
DINASTIA LIAO - 907/1125
DINASTIA HSIA OCIDENTAL - 982/1227
DINASTIA CHIN - 1115/1260
DINASTIA YUAN - MONGOL - 1280/1368
REBELDES YUAN
DINASTIA MING - 1368/1644
REBELDES MING - 1644/1681
IDADE MODERNA - após 1644
DINASTIA CH'ING - 1644/1911
REBELDES T'AI P'ING - 1812/1864
A PINTURA CHINESA
As classes dirigentes e de elite das dinastias T'ang e Sung (960-1279 d.C.) foram as principais defensoras da pintura chinesa. O objetivo criativo por detrás das obras artísticas produzidas neste período era mais sério e tinha um significado político e educacional; em estilo, as obras tendiam a ser elaboras e ornamentadas. A corte da dinastia Sung estabeleceu uma academia de pintura muito bem sistematizada. O imperador Sung Hui Tsung, um amante de finas artes e da pintura, e um artista realizado em seu próprio direito, concedeu patrocínio especial aos pintores nesta academia e patrocinou o treinamento de pintores promissores. A academia de pintura atingiu o ápice de sua atividade neste período.
Porém, devido a graduais mudanças sociais, econômicas e culturais, um número crescente de homens de letras iniciou-se na pintura, e a literatura veio a exercer uma influência crescente na pintura. Na época do famoso poeta Sung, Su Shih (1036-1101 d.C., mais conhecido como Su Tung Po), a escola da "pintura dos literatas" já havia surgido. Durante a dinastia Mongol Yuan (1271-1368 d.C.) não havia mais nenhuma organização acadêmica de pintura formal dentro do palácio imperial fazendo decair o estilo de pintura da côrte. Nesse ponto a escola de pintura dos "literatas" entrou para a popularidade e a liderança dos círculos de pintura chinesa caiu nas mãos dos pintores literatas.
Os literatas preferem pintar tipicamente de acordo com sua própria imaginação e sem restrição, e defendem um estilo fresco, livre, suave e elegante. Suas preferências incluem montanhas e rochas, nuvens e água, flores e árvores, os "quatro cavalheiros"(flor de ameixa, orquídea, bambu e crisântemos) e assim por diante. Devido ao fato de objetos naturais como estes serem temas menos exigentes do que a figura humana em pintura, o pintor pode explorar melhor o potencial de livre expressão de seu pincel e tinta.
Por exemplo, nenhum esforço aberto é feito para representar as sombras lançadas por um tipo particular de iluminação em um determinado lugar e tempo na roupa de pessoas representadas na pintura Che k'na T'u da dinastia Sung e, por esta razão, a pintura não tem efeito tridimensional claro. Depois que o pintor colocava as linhas no papel, ele usava técnicas de lavagem de aquarela para alcançar um efeito "chiaroscuro" de luz e escuridão, representando as forças do "yin" e "yang" para expressar sua compreensão da eterna e requintada natureza de seu tema. Um quadro de um agricultor pintado de acordo com os princípios objetivos de perspectiva deveria teoricamente parecer mais longo na frente e mais curto na parte posterior, refletindo a diminuição percebida em tamanho relativo de objetos mais distantes. Mas as extremidades da frente e de trás de um agricultor verdadeiro são iguais em comprimento, e este conhecimento do mundo físico está incorporado na imagem que o pintor Che K'na T'u criou: o agricultor é representado como uma superfície plana com lados iguais em comprimento.
Em outra obra chamada "Imortal Tinta Espirrada", do artista Liang K'ai da Dinastia Sung, o artista quis retratar não só qualquer homem na rua, mas uma outra reclusão mundana, e assim teria sido impróprio usar um ser humano comum como modelo. As formas altamente incomuns - até mesmo estranhas, nesta pintura - com pinceladas corajosas e desenfreadas, dão o fundo certo para as características deste extraordinário indivíduo. Esta pintura é representante da tradicional escola chinesa de pintura "pincelada à mão livre". Che K'an Tu, da dinastia Sung, que retrata a estória de um fiel ministro cujo bom conselho foi inicialmente rejeitado po seu imperador
O componente fundamental da pintura chinesa é a linha, como na caligrafia chinesa. Por causa desta característica compartilhada, estas duas artes tiveram uma íntima relação mútua desde muito cedo. Na época que as pinturas "literatas" tornaram-se populares na dinastia Yuan, os homens de letras que pintavam colocaram mais esforços para reafirmar o vínculo com a caligrafia chinesa, e conduziram ativamente a tendência para fundir a caligrafia e a pintura. E a íntima relação entre a poesia e a pintura foi formada sob a forte influência da literatura sobre a pintura. Os estadistas-intelectuais e os literatas conduziram a fusão da poesia e da pintura, e isso eventualmente se espalhou até a academia de pintura. O Imperador Hui Tsung da dinastia Sung é conhecido por ter usado a poesia para testar as habilidades dos pintores em expressar-se com tinta e papel o mundo encantado criado no verso escrito.
Com o início da dinastia Sung um pequeno número de artistas começou a escrever os nomes do doador e do receptor da pintura, ou a talhar seus nomes em um canto imperceptível da obra. Quando as pinturas dos "literatas" estavam em voga da dinastia Yuan, os homens de letras começaram a adicionar notas pessoais à pintura, ou linhas relacionadas à poesia para exibir sua habilidade de prosa e caligrafia. Esta escrita agora dava um lugar mais proeminente ao trabalho. Neste ponto havia uma nova união de assinaturas, nomes do doador e do receptor e notas na pintura ou verso relacionado com a pintura em si. A colocação de nomes talhados também se estabeleceu nesta época. O acréscimo de impressão de nomes talhados, uma arte em si, enriqueceu mais o conteúdo artístico da pintura chinesa.
Desde a virada do século, a República da China tem passado por grandes mudanças políticas, econômicas e culturais, e a arte da pintura não é exceção. Enquanto a tradicional pintura chinesa ainda ocupa lugar importante na vida do chinês moderno, muitos pintores já desejaram expressar suas experiências de novos tempos. Ao combinar novos modos de expressão com as técnicas da tradicional pintura chinesa, eles estão abrindo um vasto e novo mundo de expressão artística.
3/27/2005
O céu e a terra não são bondosos
Tratam os dez mil seres como cães de palha
O Homem Sagrado não é bondoso
Trata os homens como cães de palha
O espaço entre o céu e a terra assemelha-se a um fole
É um vazio que não distorce
Seu movimento é a contínua criação
O excesso de conhecimento conduz ao esgotamento
O Livro do Caminho e da Virtude
3/21/2005
Confúcio
Quando tinha três anos de idade o seu Pai morreu, sendo então obrigado a trabalhar desde muito novo para ajudar no sustento da família. Aos quinze anos, resolveu dedicar suas energias à busca do conhecimento. Em vários estágios de sua vida empregou suas habilidades como pastor, vaqueiro, funcionário e guarda-livros. Aos dezenove anos casou-se com uma jovem chamada Chi-Kuan. Apesar de se divorciar alguns anos depois, Confúcio gerou um filho, K'ung Li, que nasceu um ano após seu casamento, e uma filha.
Aos 51 anos de idade foi indicado como funcionário chefe da cidade de Chung Tu e, pelo seu desempenho chegou a ser promovido ao posto de Oficial dos Serviços Públicos, e depois, ao de Grande Oficial da Justiça em sua província. Aos 55 anos partiu numa jornada de treze anos visitando os estados vizinhos e falando aos senhores feudais sobre suas idéias. Foi recebido como um erudito, mas nenhum dos governantes pensou em colocar essas idéias em prática.
"Aquele que for realmente sábio nunca poderá estar confuso"
3/14/2005
O Caminho é o Vazio
E seu uso jamais o esgota
É imensuravelmente profundo e amplo, como a raiz dos dez mil seres
Cegando o corte
Desatando o nó
Harmonizando-se à luz
Igualando-se à poeira
Límpido como a existência eterna
Não sei de quem sou filho
O Livro do Caminho e da Virtude
Por que o nome Kung Fu?
Sun Wu-Kung, o Macaco-Rei
Sun Wu-Kung nasceu do caos primordial, saindo de um ovo de pedra chocado pelo céu. Ele governou um reino de macacos em uma ilha remota, adotando o nome de Charmoso Macaco Rei. Certo dia, um macaco ancião morreu e o Charmoso Macaco Rei decidiu deixar a ilha para aprender como se tornar imortal.
Ele viajou pelas terras dos humanos e finalmente encontrou uma montanha onde um pregador taoísta o aceitou como discípulo. Macaco demonstrou ser um estudante profícuo em artes marciais, transformações mágicas e dança nas nuvens, uma arte que o permitia percorrer milhares de quilômetros com um só salto. Mas o Charmoso Macaco Rei era desobediente e finalmente foi expulso do local.
Ele voltou para sua ilha, destruiu monstros que haviam resolvido morar por lá e logo voltou seus olhos para o céu, acreditando ser tão poderoso quanto os deuses. Ele adotou o nome de O Grande Sábio, Uno Com o Céu e exigiu que o Imperador de Jade o reconhecesse como tal. Percebendo seu poder, o Imperador de Jade atendeu seu pedido e indicou o Macaco para a posição de Pi Ma-Wen... que significa "limpador dos estábulos". Macaco ficou agradecido pelo título e alegremente cumpriu suas tarefas até que percebeu que era um trabalho menor e que os outros deuses estavam rindo dele. Enraivecido, ele atacou o céu, roubando e comendo as pêras da imortalidade que estavam reservadas para um festival e consumindo as pílulas da imortalidade preparadas por Lao Tsé.
Macaco voou de volta para sua ilha e estabeleceu defesas contra os deuses que os perseguiam. Durante a batalha, ele e seu exército de macacos várias vezes desfecharam golpes terríveis nas forças celestes. Finalmente, Lao T´se, o Boddhisattva Kuan Shi-Yin e a família Deveraja conseguiram subjugá-lo. O Imperador de Jade tentou executá-lo, mas a magia do Macaco era forte demais. Ele foi colocado no caldeirão de Lao Tsé para ser exterminado, mas isso apenas o refinou e ele escapou para causar perturbações no céu mais uma vez. Finalmente, o Imperador de Jade pediu que o próprio Buda o ajudasse. Buda respondeu e fez uma aposta com o Macaco. O Macaco perdeu e foi aprisionado sob uma montanha, onde foi atormentado por 500 anos.
Kuan Shi-Yin providenciou sua libertação, indicando o polêmico macaco para ser guarda-costas do santo monge que iria atravessar a China até o Céu Ocidental para recuperar as escrituras do próprio Buda. Isso acabou sendo mais duro que parecia, já que Tripitaka, o monge enviado na missão, havia tido uma vida de virtudes em suas últimas dez encarnações. Isso significava que comer sua carne poderia garantir imortalidade aos monstros, o que tornou o monge constante alvo de ataques de demônios.
Mas a essa altura o Macaco havia adquirido e desenvolvido vastos poderes, o que fazia dele um guarda-costas formidável. Ele sabia realizar 72 transformações e assim conseguia metamorfosear-se em seres do tamanho de uma pulga ou de um imenso gigante. Além disso, cada um de seus pêlos também podia se transformar; assim, arrancando alguns deles e mastigando-os, ele podia produzir um exército de cópias de si mesmo. Ele podia ainda se disfarçar como qualquer criatura que já houvesse encontrado e somente os deuses eram capazes de distingui-lo dos seres originais. Sua visão era excelente e ele conseguia enxergar monstros a 10 mil milhas de distância durante o dia. Ele também possuía uma arma mágica, que havia ganhado dos Reis Dragões do oceano. Ele a chamava de seu Bastão de Submissão, uma vara de metal que mudava de forma e que pesava várias toneladas. Ele normalmente a usava atrás de sua orelha, sob a forma e o tamanho de um palito de dentes, mas quando a batalha se aproximava o bastão assumia sua verdadeira forma e ainda podia gerar milhares de cópias.
Em sua forma normal, o Macaco era uma criatura pequena, com feições simiescas e membros fortes. Quando viajava entre os humanos, sua forma e postura se tornavam mais humanóides, mas ele mantinha seu rosto de macaco, o corpo peludo e seu rabo. Após ter sido cozinhado no caldeirão de Lao Tsé, seus olhos viraram diamantes e suas pupilas eram de um vermelho ardente.
Ele teve que vigiar o monge durante quase toda a jornada, tornando-se seu discípulo, ao lado de Chu Pa-Chieh, o Monge Sha e o Cavalo Dragão. Enfrentou vários monstros, alguns deles antigos aliados de seu próprio passado monstruoso. Finalmente, as escrituras foram resgatadas e Sun Wu-Kung se tornou o Buda da Vitória Pela Persistência.
Sun Wu-Kung é às vezes chamado de Sun Hou-Zi ou associado ao deus hindu Hanuman, símbolo da Devoção e do Serviço.
3/13/2005
O Sábio e o Passarinho
Nesta mesma vila havia um menino, esperto e muito agitado.
Num determinado dia este menino decidiu desafiar o sábio, fazendo-lhe uma pergunta que não poderia responder. O garoto pensou:
“Vou pegar um filhote de passarinho e segura-lo em uma de minhas mãos escondendo-o atrás das costas. Então vou até o sábio e pergunto; O que tenho em minhas mãos? Se ele acertar, faço a segunda pergunta, a qual ele não poderá responder; E ele está vivo ou está morto? Se o sábio disser que ele está morto, mostro o passarinho vivo, mas se ele disser que o passarinho está vivo, eu aperto o pescoço do filhotinho e mostro-o morto. Não há como o sábio acertar”.
Assim o menino fez, pegou o filhote de passarinho e foi até o sábio.
- O que eu tenho em minhas mãos?
- Um filhote de passarinho.
- E ele esta vivo ou está morto?
3/11/2005
Não valorizando os tesouros, mantém-se o povo alheio à disputa
Não enobrecendo a matéria de difícil aquisição, mantém-se o povo alheio à cobiça
Não admirando o que é desejável, mantém-se o coração alheio à desordem
O Homem Sagrado governa
Esvazia seu coração
Enche seu ventre
Enfraquece suas vontades
Robustece seus ossos
Mantém permanentemente o povo sem conhecimentos e desejos
Faz com que os de conhecimento não se encorajem e não ajam
Sendo assim
3/09/2005
Quando o mundo percebe que a beleza é a beleza, a feiúra é criada
O Livro do Caminho e da Virtude
Lao Tse
Lao Tse
Na sua nova jornada veio acompanhado do dragão azul do Imperador Celestial Chin Hua, transformado em carneiro azul. Depois de uma longa peregrinação, seu discípulo Yi Shi, o oficial da fronteira, foi atraído por um carneiro de pêlo azul dourado. Yi Shi encontrou, na aldeia da família Li, a nova encarnação de Lao Tse. Diante de seu discípulo, a criança Lao Tse, de três anos de idade, revelou sua verdadeira imagem. Seu corpo cresceu, transformando-se em luz dourada branca. Cercado de inúmeros imortais celestiais, Lao Tse pronunciou mais um ensinamento: o Tratado Maravilhoso do Princípio Solar do Tesouro do Espírito (Ling Bao Yuan Yang Miao Ching). Após concluir seu ensinamento, os duzentos membros da família Li ascencionaram seguidos por Lao Tse e Yi Shi. Isso aconteceu no dia 28 de abril de 1118 A.C. Depois do segundo nascimento e ascensão, Lao Tse ainda retornou inúmeras vezes para transmitir os ensinamentos e para ordenar as novas tradições. Por isso, é chamado pelos taoístas como Sublime Patriarca do Caminho.
* A Transparência Sublime (Tai Chin): a Transparência de Jade (Yü Chin) e a Transparência Superior(São Chin) formam o conceito teológico de Absoluto taoísta.
3/07/2005
Kuan Kun
Kuankun é um dos mais conhecidos heróis do chamado Período ou Era dos Reinos Combatentes (período histórico situado entre 453 e 221 a.C., quando os reinos de Wei, Wu e Shu, Chi, Yueh e Chin disputaram a supremacia do velho império - o nome China teria nascido de Chin, o reino vencedor); teria vivido entre 160 e 219 a.C.
Entre as histórias que lhe são atribuídas está a que afirma que ele teria sido um rapaz comum do campo que teve que fugir de casa depois de salvar uma garota das mãos de um magistrado cruel. Ele matou o magistrado e, para fugir, ingressou no exército de um dos reinos que então formavam a China.
Outra lenda narra seu encontro com Chang Fei e Liu Pei, do reino de Shu, com quem formaria uma das mais importantes trincas de heróis-divinizados da antiga China. A caminho da conscrição, Kuankun teria encontrado Chang Fei, um açougueiro que desafiava qualquer pessoa a erguer do chão uma pedra de 180 kg, sob a qual estava um grande pedaço de carne. Até então, ninguém havia vencido. Aceitando o desafio, Kuankun ergueu a pedra e se apoderou da carne, provocando a ira de Chang Fei. Os dois começaram uma briga violentíssima, que só foi encerrada com a intervenção de Liu Pei. Mais tranqüilos, perceberam que tinham muitas coisas em comum e se tornaram amigos. Em um campo de pessegueiros, os três fizeram um juramento de amizade pelo qual se obrigavam a viver e a morrer juntos (para muitos chineses, este acordo é um exemplo de ideal de amizade).
Como soldado, venceu muitas batalhas até ser capturado pelo rei de Wu, Sun Ch´üan. Por não se render, foi condenado à morte e executado na localidade de Hsiangyang, em Hupei. A tumba contendo seu corpo estaria localizada em Tangyang e sua cabeça teria sido sepultada em Loyang (Henan), uma localidade situada ao lado do mosteiro de Shaolin.
Sua arma, o Kuan Tao (Kuan To ou Ka Wan Tou) - "espada de Kuan" faz parte do universo de armas do Kung-Fu, sendo praticada na forma de rotina (katy) em vários estilos (inclusive no Shaolin do Norte). O nome da arma, segundo a lenda, é "Dragão Verde".
Características físicas:
As lendas mostram esta transformação do homem comum em divindade: segundo o folclore, Kuankun teria 2,70 metros de altura e uma barba de 60 cm; a face seria vermelha "como uma jujuba", seus olhos semelhantes aos de uma fênix e suas sobrancelhas, semelhantes a minhocas. Nos templos, muitas vezes é representado junto com seu cavalo "Lebre Vermelha" ou, então, cercado por seus auxiliares, o filho adotivo Kuan P´ing e o escudeiro Chou T´sang.
Uma das lendas relacionadas ao Kuankun afirma que ele teria sido fecundado por uma divindade solar e que sua mãe, ao invés de ter um parto normal, teria botado um ovo. O marido, com medo do que pudesse sair do ovo e furioso com o filho que, ele desconfiava, não era seu, tentou destruí-lo quebrando a casca antes que eclodisse. O menino lá dentro estava quase que totalmente formado, a não ser pela face (ainda ver- melha). Mesmo tendo vindo ao mundo antes do tempo, o garoto sobreviveu e cresceu, vindo a se tornar um herói. Não perdeu, porém, o rosto vermelho, fruto da ira de seu pai.
Informação inicial- Texto de Origem Desconhecida
Fonte (Segundo Comentário)
www.shaolincuritiba.com.br
Rodrigo Wolff Apolloni
3/06/2005
O caminho que pode ser expresso não é o Caminho constante
O nome que pode ser enunciado não é o Nome constante
Sem-Nome é o princípio do céu e da terra
Com-Nome é a mãe de dez mil coisas
Assim, a constante não-aspiração é contemplar as Maravilhas
E a constante aspiração é contemplar o Orifício
Ambos são distintos em seus nomes mas têm a mesma origem
O comum entre os dois se chama Mistério
O Livro do Caminho e da Virtude, Lao Tse
